REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

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REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

Post by Pieni on Fri Jul 27 2012, 22:24

REPORTAGEM
4º DIA - MARÉS VIVAS TMN



21 de Julho 2012
Praia do Cabedelo - Vila Nova de Gaia

Line Up: João Só e Abandonados; Luísa Sobral; Mónica Ferraz; The Hives; Anastacia; Pedro Abrunhosa
Reportagem realizada por:
Texto: Renata Lino
Fotos: Sandra Manuel


E chegávamos ao quarto e último dia desta décima edição do Marés Vivas TMN, um festival que Pedro Abrunhosa, em comentário à RTP, disse ser “de coragem, com nomes arrojados”.

A surpresa do Moche Random Stage, que recebia aleatoriamente bandas nacionais, perdeu o seu efeito, uma vez que sobravam apenas dois nomes no cartaz: João Só e Abandonados, e Luísa Sobral. Foi o primeiro a iniciar a música ao vivo daquele último dia, para uma tenda praticamente cheia.
Alguém pediu “A Marte” e o desejo foi realizado, com o público a cantar o refrão bem alto – primeiro “as meninas”, depois “os homens”, e finalmente “toda a gente”. “Vocês são incríveis. Viva o Norte!”, gritou João Só.
Outro momento alto foi em “Sorte Grande”, tema originalmente gravado com Lúcia Moniz. Mas como a cantora não estaria presente, João tinha lançado o desafio no Facebook a todas as raparigas que quisessem subir ao palco e substituir Lúcia no dueto. Foi Maria Galvão, de Famalicão, que teve esse prazer.

www.joaoso.com






Mais tarde foi a vez de Luísa Sobral apresentar o seu jazz a uma tenda ainda mais cheia. Muito comunicativa, contou um pouco da história por trás de cada música. Ficámos a saber que admirava muito Rui Veloso e Carlos Tê, daí ter feito uma versão de “Saiu para a Rua”. Que “O Engraxador” foi o primeiro tema que compôs em português, depois de ter tocado no Super Bock Stock de 2009 e sentido pena de não ter nenhuma música na sua língua materna. Que “Japanese Rose” contava a história de uma menina chamada Rose que perdeu a sua casa no tsunami que atingiu o Japão o ano passado.
E assistimos ainda a outra cover, desta vez de Britney Spears (“Toxic”), uma vez que gosta de homenagear cantoras de estilos diferentes do seu. Com uma ventoinha na sua direcção, soltou o cabelo e deixou-o voar, ao estilo da artista americana. Mediante os aplausos estrondosos, Luísa disse que para o ano tocaria no Marés Vivas apenas canções de Britney, uma vez que obtinha sempre mais palmas. Estas então redobraram, para contrariar a afirmação de Luísa.

www.luisasobral.com








O talento português e feminino continuou no palco principal com Mónica Ferraz. Toda a emoção do soul com uma pitada de pop, numa voz extraordinária que, embora algo ofegante ao falar ao público, não falhou uma nota enquanto cantava.
“Oh My Love” foi dedicada a todos os que estavam apaixonados, e “Golden Days” aos fãs, com a cantora a afirmar “esta escrevi para vocês”.
Foram muitos os que acompanharam as letras, e quem não conhecia o trabalho de Mónica teve na mesma a oportunidade de participar, berrarando “FREAK OUT” na cover “Le freak” dos Chic.
Mónica pedia constantemente ao público que erguesse os braços no ar, mas no tema final, “Go Go Go” ela queria “ver toda a gente a dançar”.

www.monicaferrazofficial.com










Os suecos The Hives confirmaram (mais uma vez) que o título de “uma das melhores bandas rock ao vivo da actualidade” não lhes é atribuído em vão. Mesmo quem não aprecia garage rock tem de admitir que este concerto foi o mais electrizante da noite.
Com um 5º álbum de originais cá fora, “Lex Hives”, este concerto serviu tanto para promove-lo como para lembrar os clássicos como “Walk Idiot Walk”, “Main Offender” ou o “hino nacional” (usando as palavras de Howlin’ Pelle Almqvist), “Hate To Say I Told You So”.
É habitual as bandas estrangeiras aprenderem a dizer “obrigado”, mas o carismático vocalista foi mais além e surpreendeu-nos com “gritem”, “saltem” e “batam palmas”. Na apresentação da banda, ao apresentar-se a si mesmo, é que precisou consultar a cábula para apontar para si próprio e dizer “número um”.
Chris Dangerous foi apresentado como “50% man, 50% machine, 50% animal – 150% drummer”, e o bom humor continuou com “e o que seria da bateria sem o baixo? Talvez os White Stripes”, antes de apresentar Dr. Matt Destruction. Este seria substituído por um fã, Miguel, em “Hate To Say I Told You So”. O rapaz segurava um cartaz em que pedia “please please please” para tocar baixo naquela música ao que a banda acedeu, depois de Pelle perguntar a opinião ao público.
“Quantos estão a ver The Hives pela primeira vez?” – um mar de braços ergueu-se. “E quantos acham que esta não é a última vez que vão ver The Hives?”. Aqui os braços forem menos numerosos, pelo que Pelle prometeu “we’ll get you next time”.
A meio do último tema, “Tick Tick Boom”, Pelle mandou-nos sentar, novamente em português. O seu sotaque não era perfeito mas claro que toda a gente entendeu – a hesitação devia-se provavelmente à surpresa e ao facto da terra batida não ser propriamente o piso mais limpo. “Am I saying it wrong? Sen-tem-se. Okay, let’s try this then: SIT THE FUCK DOWN!”. Lá se sentaram, mas muitos ergueram-se logo a seguir, quando Pelle disse que quanto mais depressa se sentassem, mais depressa eles iam embora e vinha Anastacia. Esta demonstração de lealdade fez Pelle sorrir ainda mais do que quando pediu ao público para gritar bem alto, em sinal de quanto o amavam.
“20.000 excited Portuguese and 5 excited Swedes” fizeram uma festa memorável.

www.thehivesbroadcastingservice.com








Depois de tantos saltos e energia, o concerto de Anastacia pareceu fraco em comparação. Mas o público não pareceu desiludido com a falta de agitação – não só ouviram os grandes êxitos como “Why You’d Lie To Me”, “Paid My Dues”, “Left Outside Alone” ou “I’m Outta Love”, como ainda constataram que a cantora era divertida. Por exemplo, quando o seu microfone falhou, e o substituto também não funcionou à primeira, ela brincou dizendo “now you know I’m really singing”. E quando alguém lhe atirou uma faixa de miss e uma tiara, Anastacia assumiu um tom de voz adolescente para agradecer e declarar que desejava paz mundial – como uma típica miss.
As partes de Eros Ramazzotti em “I Belong To You” foram cantadas por uma das raparigas do coro, Maria, e também o baterista Steve Barney teve os focos em si quando, em “Not That Kind”, presenteou o público com um pequeno show de beatbox humano.
Do repertório fizeram ainda parte “Empire State Of Mind” (cover de Jay-Z) e o novíssimo “What Can We Do (Deeper Love)”.

www.anastacia.com








Coube a Pedro Abrunhosa a honra de encerrar o festival – palavra que ele mesmo usou.
Um desfile de êxitos acompanhados de “recadinhos” inconformados sobre a situação sócio-económica do país. O tema de abertura, “Eu Sou O Poder”, é por si só um exemplo disso. Mas com Pedro a usar um chapéu de cowboy e simular um tiroteio contra o público desarmado realça ainda mais a desigualdade de circunstâncias que se vive. Em “Não Posso Mais” aludiu à corrupção e ao peso dos impostos. E em “Talvez f******” (que incluiu um snippet de “Give It Away” dos Red Hot Chili Peppers), disse que precisamos fazer mais do que sexo, temos de nos insurgir e “mostrar indignação pelo estado do país”. Gozou ainda com os políticos que “vão para a televisão fazer análises à merda que fizeram” e ainda se dizem de consciência tranquila. Não, ele prefere o CAOS ao silêncio (em maiúsculas pois gritou a palavra).
“Socorro” e “É Preciso Ter Calma” também tiveram o seu quê de ataque político, mas nada como baladas do calibre de “Se Eu Fosse Um Dia O Teu Olhar” e “Eu Não Sei Quem Te Perdeu”, cantadas por aquelas quase 25.000 pessoas, para fazer esquecer a crise por uns momentos.
Por falar em “perder”, Pedro anunciou que o seu cão, desaparecido há dias, já estava novamente consigo, depois de 527.000 pessoas terem visto/comentado/partilhado o seu desaparecimento nas redes sociais. Agradeceu ladrando e exibindo uma fotografia do respectivo animal.
“Foi sobretudo uma honra encerrar este festival em português, num país que se chama Portugal, onde se fala português, onde se ama em português, onde se sonha em português. Obrigado pela vossa presença aqui hoje” foi a sentida (e muito aplaudida) introdução ao tema final, “Tudo O Que Eu Te Dou”, que o público acompanhou palavra por palavra.

www.abrunhosa.com










Resta mencionar a subida ao palco da equipa das Manhãs da Comercial, entre The Hives e Anastacia, para cantar (por cima do vídeo) o hino do Marés Vivas. Ainda demorou um pouco para que o público percebesse o que estava a acontecer, uma vez que aquilo não estava anunciado e as pessoas já se preparavam para fazer o que quer que costumam fazer no intervalo entre bandas. O que Ricardo Pereira aproveitou logo para fazer uma piada: “se calhar devíamos tentar o truque do outro: ssssentem-se”, disse, imitanto Pelle dos The Hives.
A ideia era que os presentes cantassem também. E mesmo cansados daquele hino, ao fim de ouvi-lo tantas vezes seguidas durante quatro dias, foi com satisfação que o fizeram.

www.radiocomercial.iol.pt

No total, estima-se que cerca de 95.000 pessoas passaram por esta 10ª edição do Marés Vivas. Façamos figas para que a 11ª, já com data marcada para 18, 19 e 20 de Julho de 2013, tenha tanto ou mais sucesso.
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Re: REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

Post by Sonia22 on Mon Jul 30 2012, 16:33

Estive a ver as reportagens dos 4 dias e devo dizer que adorei ler a descrição dos concertos. Quantos às fotografias estão qualquer coisa de espectaculares.
O festival é daqueles que vale bem a pena ir

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Re: REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

Post by Pieni on Mon Jul 30 2012, 16:42

Sonia22 wrote:Estive a ver as reportagens dos 4 dias e devo dizer que adorei ler a descrição dos concertos.

Pela minha parte (autora do texto do 4º dia), MUITO OBRIGADO
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Re: REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

Post by MI-13 on Mon Jul 30 2012, 19:23

Sonia22 wrote:Estive a ver as reportagens dos 4 dias e devo dizer que adorei ler a descrição dos concertos. Quantos às fotografias estão qualquer coisa de espectaculares.
O festival é daqueles que vale bem a pena ir

Obrigado,pela parte dos 3 primeiros dias . tenta-se descrever o mais fiel para que as pessoas que não conseguiram ir possaam assim
sentir um pouco o que lá se passou
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Re: REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

Post by MI-13 on Mon Jul 30 2012, 19:24

Cousin foi canja para ti aahah

Hives foi mesmo potente.Parabéns pelos textos.
e parabéns pelas fotos também

linda a Luísa Sobral, tenho mesmo pena de não ter ido nesse dia
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Re: REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

Post by Pieni on Mon Jul 30 2012, 20:48

MI-13 wrote:Cousin foi canja para ti aahah

Hives foi mesmo potente.Parabéns pelos textos.

The Hives RULOU MUITO tens de vê-los um dia, Mig
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Re: REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

Post by Sandra Manuel on Wed Aug 01 2012, 15:39

Sonia22 wrote:. Quantos às fotografias estão qualquer coisa de espectaculares.
O festival é daqueles que vale bem a pena ir

MUITO OBRIGADA!!
As condições para fotografar não eram as melhores, mas lá consegui alguma coisa ;)

Os meus companheiros escrevem muito bem.

Luísa Sobral não é o meu estilo de música e antes de chegar ao palco já estava a dizer que só ía fotografar e saía logo. No entanto ela faz um show fantástico e o jazz (que não gosto nada) ficou completamente em 2º lugar. Tiro-lhe o chapéu pela criatividade e boa disposição.
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Re: REPORTAGEM - Marés Vivas TMN '12 | 21 de Julho

Post by Pieni on Wed Aug 01 2012, 17:02

Sandra Manuel wrote:Os meus companheiros escrevem muito bem.

Fazemos os 3 uma equipa do caraças
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